terça-feira, 17 de setembro de 2013

Da lingua aos dentes

A areia pairava no ar
Encontrou na minha lingua um repouso
Adormeceu
No escuro de meus lábios fechados

Lá resolveu viver
Apesar da coçeira
Não quis incomodar minha hospede
Nem mesmo deixar a luz dourada do sol entrar
Para não desperta-la

Assim o tempo passou e ela cresceu
Ouvia sempre tudo que ocorria a volta
E um dia resolveu que era hora de nascer

Minha garganta trancou-se
De forma abrupta
Meus lábios se rasgaram o procura de ar

E a luz de prata banhou o céu
Minha boca escancarada
Revelava uma pérola
repousada em minha língua

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