quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Amor de infancia

Me pego já há tempos
Talvez de quando em quando
Sentado no chão
Com minha memória aberta entre as pernas
Antônito sem olhar pra frente
Transformando o tempo em contemplação e saudosismo

Eis que embaixo de tudo
Surge algo esquecido
Coberto de poeira e lembranças
Palavras antigas
De quando o sentimento é maior que qualquer razão

Revejo quase que minha infância
Que agora possui inclusive outra infância
Mergulho em tal memória e me vejo cercado pelo real
Entre risos, e palavras bobas
Vejo que os caminhos paralelos agora se cruzam
Entre tanta semelhança
Confundo passado com presente
Eu com você

De costas te vejo e admiro
Em algum olhar perdido
Copio-a para minha memória
Assim passo a tarde ensolarada
Sentado ao seu lado
Com nossas caixas de memórias sendo lidas
Remexidas, declamadas

Regresso da vivência passada, no tempo presente
Me flagro com a cabeça distante
Distante a ponto de se aproximar de você
Que logo se revela distante, a ponto de estar aqui
E de repente tudo fica confuso
Talvez o coração tenha relembrado seu ritmo de infância
Corrido na frente de nós dois
Que logo disparamos ao seu encontro...

Há aquele medo e frio na barriga
E novamente um vácuo temporal
Que logo se mostra espacial

A tarde talvez tenha sido curta
Ou não nos demos tanta a oportunidade de vivenciar o presente
Um grito silenciado
Lábios não tocados
Por pouco
Talvez centímetros ou segundos

E esse amor de infância
Recordado, talvez brevemente
Agora fica a merce
Do tempo e do espaço

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