terça-feira, 9 de outubro de 2012

Asas e Gaiolas invisíveis

Pela manhã bem cedo
Abri a velha porta de madeira
Rangia e arrastava consigo alguns grãos de areia
Deixei ao lado do carpete as sandálias
E senti o gelado do chão de azulejos marrons claros

A areia ainda fria do caminho
Brisa leve que trazia o inicio do calor do sol
Encostado na árvore via o ventro brincar com as folhas
E ria da piadas contadas pelas formigas, indecifráveis

Com aquela leveza de alma encontrei o mais lindo ser que já vira
Ele voava no céu e fazia piruetas
Sumia entre as nuvens e se banhava de modo engraçado nas pequenas poças
Meus olhos se mostravam ágeis observando cada sutil movimento
E me alegrava como nunca imaginei

Não demorou muito para aquele ser se encher de curiosidade
Começou voando mais perto como quem nada quisesse
Quando vi já me espionava por detrás da árvore
Eu lhe pisquei os olhos e ele bateu as assas
Assim ficamos por horas e falamos de coisas jamais imaginadas por ambos

Acordei ainda escuro
Mas já sentia o ar ficando mais quente
Olhei por cima de mim e vi o azul ficando mais claro
Me sacudi acordando e espalhei todos os gravetos que estavam ao meu redor
Estava mais quente agora lá fora, e sai voando

Segui a direcão da brisa, mergulhava em seu impulso
Rodopiava e tentava buscar mais altura
Subia até o solo ficar todo branco e enevoado e me atirava novamente
Pousava e ia até as pequenas poças me banhar
Quando me deparei com um ser esquisito

Estranhei e fui me aproximando
Ele reencostado numa grande árvore,
Quase imóvel
Percebia apenas sua respiração, leve
Olhando tudo ao redor
Até que me viu atrás da árvore ele piscava os olhos,
Como os meus são pequeninos, bati as assas
E assim nos falamos a tarde inteira

No outro dia não senti a temperatura mudar
Nem mesmo a coloração do céu
Quando decidi sair para procurar aquele simpático ser, nem precisei me esforçar, ele já estava ali
E ali continuamos
Dia após dia
Noite após noite
Até não querer mais ver aquele ser
Em um fechar de olhos, a noite tomou conta de mim
E me tornei a própria noite
Quando finalmente o sol surgiu
O ser havia desaparecido com a noite.

Pela manhã 
Abri a  porta 
Deixei ao lado as sandálias
E senti o  chão 

O caminho
A brisa 
Encostado na árvore não via nada além de folhas balançando
E formigas, indecifráveis

Acordei 
Sentia o ar quente
Olhei por cima de mim e vi o céu
Acordando  espalhei  os gravetos
E sai voando

A direcão da brisa 
Tentava buscar mais altura
Subia 
Pousava e ia me banhar



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