domingo, 28 de outubro de 2012

Metafísica artistica da busca do Eu

Quero a essência
Na verdade procuro-a em uma eterna busca
Que antes duraria só por uma infância
Infancia perdida deflagrada por simples sensações
Em um tempo que há de sempre retornar

Procuro nessa busca
Um desvelamento de um outro mundo que jamais existirá
Que quem sabe conhecerei em um tempo que nem mesmo serei eu
O eu da busca de um eu perdido
Um eu de escombros e ruinas
Diversificado como um colcha de retalhos

Habita em um vácuo temporal
O agora, composto de instantes de passado e futuro
Montado artificialmente de forma orgânica
Onde lembranças e sonhos se confundem
No surreal inconsciente de um sonho

Tento consciente
No fechar dos olhos enxergar mais do que não se vê
O tortuoso caminho expressionista de um sonâmbulo
Que busca sua essência
No estalar de dedos

Existe um sorriso
Que recém habita meus sonhos

domingo, 21 de outubro de 2012

Lembre-se de me levar

Com um som de violão
Entrei em outra vida
Um lugar tão diferente
Com o céu ao meu redor
E estalidos de fogo na lenha

Com uma música que nunca foi minha
Encontrei meus sentimentos
Veio me as lágrimas aos olhos
Me senti bem retratado
E me transportei para outra vida

O lugar que você sonhou
Para enconstar a cabeça em meu ombro
O sentimento que você pensou
Em todos ao redor
E mesmo assim, cheinho de gente
O calor bom era nosso


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Preciso beber os cacos de meu tempo
Mas a efemeridade é tão amaga ao paladar
Que regugito

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Chuva

O vento sopra
A folha fina e verde balança
A gota de orvalho se aglomera a outras e escorre
Assim como a chuva

O céu escuro clareia em segundos
E volta a escurecer
A gota escorrida se junta as demais em uma pequena poça
Junto a tantas outras
E o vento sopra

Os pingos tocam o lago gélido
E as ondulaçoes se entrecruzam
A terra umida e fria
Com alguns frutos caídos
Levementes mordiscados
Levementes apodrecidos

E o vento torna a soprar
Qual a seriedade de uma tempestade?
Quanto de seriedade cabe em uma gota?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Sorriso

Um olhar, um sorriso
Na pele o sol
Nos olhos o mar

Depois do sorriso um baixar de olhos
Eu tentando os pescar
Sem linha ou sem isca


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Asas e Gaiolas invisíveis

Pela manhã bem cedo
Abri a velha porta de madeira
Rangia e arrastava consigo alguns grãos de areia
Deixei ao lado do carpete as sandálias
E senti o gelado do chão de azulejos marrons claros

A areia ainda fria do caminho
Brisa leve que trazia o inicio do calor do sol
Encostado na árvore via o ventro brincar com as folhas
E ria da piadas contadas pelas formigas, indecifráveis

Com aquela leveza de alma encontrei o mais lindo ser que já vira
Ele voava no céu e fazia piruetas
Sumia entre as nuvens e se banhava de modo engraçado nas pequenas poças
Meus olhos se mostravam ágeis observando cada sutil movimento
E me alegrava como nunca imaginei

Não demorou muito para aquele ser se encher de curiosidade
Começou voando mais perto como quem nada quisesse
Quando vi já me espionava por detrás da árvore
Eu lhe pisquei os olhos e ele bateu as assas
Assim ficamos por horas e falamos de coisas jamais imaginadas por ambos

Acordei ainda escuro
Mas já sentia o ar ficando mais quente
Olhei por cima de mim e vi o azul ficando mais claro
Me sacudi acordando e espalhei todos os gravetos que estavam ao meu redor
Estava mais quente agora lá fora, e sai voando

Segui a direcão da brisa, mergulhava em seu impulso
Rodopiava e tentava buscar mais altura
Subia até o solo ficar todo branco e enevoado e me atirava novamente
Pousava e ia até as pequenas poças me banhar
Quando me deparei com um ser esquisito

Estranhei e fui me aproximando
Ele reencostado numa grande árvore,
Quase imóvel
Percebia apenas sua respiração, leve
Olhando tudo ao redor
Até que me viu atrás da árvore ele piscava os olhos,
Como os meus são pequeninos, bati as assas
E assim nos falamos a tarde inteira

No outro dia não senti a temperatura mudar
Nem mesmo a coloração do céu
Quando decidi sair para procurar aquele simpático ser, nem precisei me esforçar, ele já estava ali
E ali continuamos
Dia após dia
Noite após noite
Até não querer mais ver aquele ser
Em um fechar de olhos, a noite tomou conta de mim
E me tornei a própria noite
Quando finalmente o sol surgiu
O ser havia desaparecido com a noite.

Pela manhã 
Abri a  porta 
Deixei ao lado as sandálias
E senti o  chão 

O caminho
A brisa 
Encostado na árvore não via nada além de folhas balançando
E formigas, indecifráveis

Acordei 
Sentia o ar quente
Olhei por cima de mim e vi o céu
Acordando  espalhei  os gravetos
E sai voando

A direcão da brisa 
Tentava buscar mais altura
Subia 
Pousava e ia me banhar



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ficçao de um novo alinhamento

No instante em que o coração parou sua alma caiu em seu corpo novamente
Um senhor, velho, decrepito, suas rugas eram como um solo seco, seco de qualquer tipo de vida
Os sorrisos iniciais com o tempo foram ficando confusos
As rugas diminuiam e a vida aumentava
O problema foi a generalização do fenomeno
As primeiras dores nas costas da meia idade foram passando
Os primeiros passos e primeiras palavras sendo esquecidas
A morte nunca foi facil mas já sabia-se de algum modo o que ocorria e o como lhe dar com ela
Mas o que falar ou fazer com as mãe cada vez mais novas que viam seus bebes virarem fetos?
O susto e o medo de desconhecido, agora de um novo desconhecido
Para a vida dos pequenos fetos, uteros artificias, até que começaram a sumir os primeiros
As rezadeiras não sabiam o que pedir, afinal não existia um eterno descanso, ou mesmo céus e infernos para quem não morre.
O barulho típico, o cheiro de pólvora e um cadáver de quem não suportava mais rejuvenescer
O futuro começou a ser mais certo que o passado.
Aos poucos cada vezmais crianças enterravam os corpos  daquelas pessoas tão joviais
Olhares para os cemitérios
Para os antigos mortos, nenhum ressucitou
E o mundo começou a girar em outro sentido
Onde nada mais fazia nenhum tipo de sentido

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quantas palavras pra descrever um silêncio

A cena é simples,
toco a campainha
ela olha pelo olho magico
diz alguma coisa (acredito que seria uma pergunta) mas nada que consigo imaginar agora
eu levanto o indicador e ponho junto aos meus lábios,
como sinal de não querer palavras,
ela abre a porta confusa e eu a abraço
ela me abraça naquele abraço forte e gostoso,
e só penso :
"obrigado por ter me permitido viver ao seu lado"
dou um leve beijo no ombro, saio daquele abraço (quase, talvez, como quem precisa sair da cama em uma noite fria)
inclino levemente a cabeça para baixo fechando os olhos
em uma mistura de um adeus e de um agradecimento
e vou me embora sem dizer uma palavra
espero que não sejam necessárias,
nem mais cabem em algum lugar