sábado, 22 de setembro de 2012

Em mim

Uma música leve cantada por uma boca que sorri,
O vento pela janela espalha o suave perfume daqueles ombros
Longos cabelos cismam em escorrer pela face
Delicadamente retirados pelos dedos
E a mão torna a descer ao ventre

Um sentimento de completude que nunca imaginei
Eu que nunca liguei por ser mulher, admiro agora meu corpo

As mãos classicamente apoiadas sobre a barriga
sobem e descem a cada respiração
Os olhos fixos e brilhantes
Vez ou outra derramam uma inexplicavel lágrima

Acaricia a si como se acariciasse a outro
Como se de alguma forma ele pudesse sentir
Sente sua pele fria e se arrepia com o novo sopro da janela
Imaginando ou não sente, um pequeno pulsar na palma de sua mão

Sussurra baixo
Juras, promessas, segredos
Lembranças de crianças
Suas bonecas, seus planos
Não lhe falta mais nada
Seus desejos e seus prazeres agora tão pequeninos
Que ainda cabem dentro dela






Me questionei hoje

Quando falo comigo mesmo,
não existe o nós, não existe o outro, ou não existe o eu?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Para voce será necessario outro poema

Vai aos poucos
dos suspiros as memorias
Nunca é tarde para esquecer
Se dilui e se desfaz
Tudo que foi bom e ruim
Até não restar mais nada
Nada

Vazio
Espaço, lugar
Vem surgindo aos poucos
Da onde ninguém sabe
Cresca e germine com o tempo necessario
Para que vire a ilusão de uma eternindade

Foram se as petalas com as folhas
Ainda vivas, precocemente arrancadas
Chega o inverno
Tranca-se em casa
E da própria prisão construida, chega a agonia
Que rasga toda parede feita, revelando outro mundo

Os passos e o mar sempre proximo
Para apagar as pegadas
para lavar a alma  pelo pés

Na outra ponta delicada perna, desliza sobre elas, a agua
E a cena revela a distancia e o suspense de um encontro que ainda estar por vir